domingo, 15 de julho de 2012

Será irreverência?

Não resisti! Estava a vasculhar pelos meus textos e coisas mais antigas e encontrei um trabalho que fiz para História que consistia numa carta ao nosso primeiro-ministro, na altura, o Eng. Sócrates.

"Nada vai bem num regime político em que as palavras contrariam os factos." - Napoleão Bonaparte


Exmo. Senhor Primeiro-ministro

Espinho, 18 de Setembro de 2009



Juliana Martins de nome, sou uma aluna do décimo ano da Escola Secundária Doutor Manuel Gomes de Almeida, na cidade de Espinho. Tenho noção que, o facto de ser apenas uma jovem de catorze anos, irá ser um importante factor para que as minhas palavras não sejam levadas seriamente. Mas como membro desta sociedade, como cidadã deste país, sinto-me na obrigação de tentar fazer um pouco mais por aquele que amanhã será o meu futuro. Não é preciso estar muito informada sobre termos políticos para saber que o nosso país está a enfrentar uma grande crise, da qual não sairá facilmente, mas se quem nos lidera continuar a agir como até agora, ficaremos eternamente assim. Sei que é fácil falar, e talvez o povo em geral, esteja a ser um pouco injusto, mas a revolta leva-nos a tal.
Por vezes, é difícil acreditar que a política não passa de um jogo, um jogo, em que só aqueles que participam na jogada podem ganhar. Actualmente, vivemos num regime republicano, que supostamente existe para melhorar e facilitar a vida de todos os cidadãos. Organizar o país. Mas agora digam-me, valerá a pena? Vivemos uma intensa crise, a qual teve origem no tempo monárquico e até agora nada se solucionou. Em vez de se utilizar os bens monetários para que a população de Portugal possa finalmente respirar depois destes tempos de asfixia, ou pelo menos, caminhar para tal, estes, são desperdiçados em objectos sem interesse, que não solucionarão os nossos problemas. Para que interessa um comboio mais rápido se as finanças continuarem como estão? Muito provavelmente, nem para o bilhete terei dinheiro. E a saúde? Porque não apostar por exemplo, na saúde? Urgências a fechar, ambulâncias sem equipamentos, pessoas a morrer por simples banalidades. Já que querem gastar esse dinheiro, porque não gastar em algo que realmente interessa? Chega de futilidades! Por vezes, parece que os políticos do nosso país apenas querem mostrar à população e ao estrangeiro, que somos um país de sucesso, de oportunidades. Mas, para quê? Para quê esta máscara? Somos tudo menos bem sucedidos. Somos tudo menos um país de oportunidades. Somos um país de aparências! Somos um país de máscaras! Agora todas as concentrações deviam estar direccionadas no combate da maldita crise que teima em ficar. Poupar, pagar dívidas, deixar as futilidades de lado, é algo em que o Estado se devia concentrar pois, estas são as únicas medidas possíveis para superar este ciclo vicioso. E por isso, e porque a minha vontade de fazer algo por este país cada vez é maior, sei que daqui a 20 anos estarei eu no seu lugar. E sei também que darei o meu máximo para finalmente obtermos uma balança económica equilibrada. Nós estamos mal, muito mal, mas continuo a ver pessoas como o senhor, que apenas pioram a situação do nosso país, com carros e casas de luxo. Apenas estão a tornar os pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Sinceramente, já não sei o que preferiria. Se uma ditadura verdadeira, se uma falsa democracia.
Melhorar a vida dos cidadãos, deveria ser prioritário, mas pelos vistos, a ânsia de ‘mostrar que temos’ é muito mais importante.

Sem outro assunto de momento, apresento os meus melhores cumprimentos e subscrevo-me,

Juliana Martins

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